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quarta-feira, 13 de abril de 2011

Denuncia social

            È até aceitável a relação indiferente que muitos insistem em tratar o ocorrido, mas admitir acusações relativas a hipocrisia é realmente inadmissível. De fato ninguém é obrigado a comover-se diante da tragédia alheia, afinal poucos são dotados de tal sentimento, incapaz de alterar o que infelizmente já aconteceu, mas suficientemente capacitado para assumir a responsabilidade do que daqui pra frente poderá ser evitado.

            Não sei se exatamente o que esperar, tanto das pessoas como desse mundo. Vejo diariamente a incapacidade e imaturidade de alguns para tratar temas com demasiado tom de crueldade – dependendo claro, do olho que enxerga. Poderia adaptar-me a verdade tangencial ao meio em que vivemos, porém recuso-me a demasiado conformismo.
            Verdadeiramente ajustamo-nos a idéia de receber mais do que indevidamente nos é oferecido, todavia isso não traduz pecado algum, AINDA. Perco-me nas palavras, por não saber a origem das críticas, das acusações. Sei que são extremos que interligam-se e almejam mudanças, transformações.
            O momento aguarda a atitude de pessoas que abaladas, direta ou indiretamente, não apenas por um surto midiático, mas principalmente por algo com extrema revelação mundana, deseja mudar e direcionar a face deste planeta a novos horizontes. Pessoas altamente capacitadas e dotadas da sensibilidade que ainda – em meio a todos os acontecimentos – insiste em ausentar-se da vida dos muitos que desvalorizam, criticam e julgam atitudes no mínimo honráveis.  

terça-feira, 5 de abril de 2011

O primeiro


É necessário que Ele seja o intróito do seu existir, da sua vida, da sua trajetória. É preciso um lugar, uma morada específica e interiorizada, fixa. Não existe outro digno de entrega plena. E de fato não há nada comparado a recompensa da doação espiritual.
Não sei até que ponto fé move montanhas, talvez se soubesse restringiria o verdadeiro sentido do vocábulo, que objetiva a certeza do incerto e desse modo possibilita o entendimento do inexplicável. Conquanto ver o invisível parece não ser tarefa muito fácil.
O tempo mostra-me claramente a canção oscilatória que circunda-me a respeito do assunto. Vejo quantas vezes a música subiu a um timbre verdadeiramente alto, e como desceu a tons suficientemente graves, por vezes inaudíveis. A verdade é que achar-me-ia em momentos sublimes, plenos, todavia não perenes, no máximo e na melhor das hipóteses, duradouros.
A felicidade mostrar-nos-á o caminho a seguir, pois não há no mundo prazer maior do que a presença divina que guia, orienta e traduz as coordenadas exatas para o deleite pessoal, o êxito e as realizações, que transformam-se em meras conseqüências das escolhas fundamentais para obtenção do sucesso desejado. 

sábado, 2 de abril de 2011

Verdade disfarçada





Caladas dores, eficácia presente no oficio da dissimulação.

Aparência disfarçada da verdade camuflada,
Do grito comprimido, da voz calada.
Ouvidos estáveis, sentimento vulnerável, presença insustentável.
Verdades não seguram, nem tampouco destroem,
São marcar, cicatrizes, vestígios opacos.

Mentiras não sustentam, mas alentam, ainda que temporariamente.
Não há lugar para discrepâncias, fingimentos, oposições.
Ouvidos sabem a voz que melhor soa. O timbre que encanta.
Olhos vermelhos, disfarçados, camuflados.
Águas que correm e escorrem.

Palavras lançadas, facada tangível da verdade que fere.
Sorriso marcado, sustentado, fixado.
Mentira permanente ainda que findável
Falsidade que conforta, emplasto adequado, relativamente curável.

Aroma perfeitamente secreto do que revelar-se-á.
Perfeita orquestra do tempo adequado, acertado, fixado.
Imensurável afinação da escolha de momento esperado,
Para que sejam entoadas as vozes que nem seguram nem destroem,
Cantam justiça, integridade inestimável, imensurável, indispensável.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Lucidez eterna


Tuas imagens conduzem-me a uma esfera desconhecida da vida. Teu brilho reluz, e demonstra-se suficientemente intenso capacitado a iluminar-me a alma, o espírito, o coração . Sei que teu falar soa falso aos que delineiam  em sua audição, sons altamente fixados daquilo que jamais terá tradução singular.
            Em alguns momentos, fostes mapas, guias e interprete, daquilo que vez ou outra dispensa qualquer decifração, decodificação, explicação – a vida. Encantas dignamente aos que enaltecem e resplandecem na tua presença. Sustentas a lucidez pura, que invade, e transborda a alma humana de sentimentos e prazeres indispensáveis.
             Guardas a preciosidade daquilo que construindo muros para a solidão, mostrou que paredes são vozes relativamente audíveis. Sublimidade presente e inquestionável dom reflexivo encontram-se ao cruzar-nos em noites consteladas, enluaradas.
            E se, portanto, não foi achado em ti - por qualquer homem - a amplitude destas palavras, é estritamente deplorável e lastimável pois possivelmente não conhecem a essência de versos simples, da vida livre, do saber e brilho eterno, infindável.

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      Não raras vezes que me peguei pensando se chegaria onde quero e se o caminho traçado até hoje tem sido de fato certo. Não sei exatamente até que ponto sou capaz de perceber erros, detectá-los e corrigi-los. Não estou apta a dizer que sei quando falho, tão logo não falharia jamais se o soubesse. Conquanto a vida ainda não atribuiu-me tal dom. Hoje tenho dúvidas a respeito de mim mesma, a respeito dos outros.
       Sempre me achei forte até provar da fraqueza. Tive convicções que foram destruídas, certezas questionáveis e dúvidas inquestionáveis. Hoje não sei o que realmente vale a pena, tampouco o que não vale. Estigmas de um passado parecem sempre presente, e o ceticismo transborda-me o ser.
       Posso dizer que sei muitas coisas, mas há em mim uma carência do básico, se é que me entendem. Existe em mim a deficiência em detectar o necessário, indispensável, imprescindível, uma vez que encontro-me diariamente conectada ao dispensável e supérfluo. Idiotice?...  Que nada, é só um dos muitos indícios daquele espírito errôneo do 1° parágrafo, lembra? Ninguém é perfeito, e se pra toda regra existe uma exceção, estou bem longe de ser a da vez.
       Sabe... em um período como esse, onde o maior objetivo visa superação e esforço, sinto sempre que não dei o meu melhor e acredito que nunca darei. Sei que o mundo que me espera busca apenas constância, não superdotados. Isso verdadeiramente me alegra, porque de fato perseverança habita em mim. Nunca tive dúvidas da capacidade de alcançar meus objetivos, todavia essa é uma das poucas certezas que tenho na vida, senão a única.
       Sei que o futuro é incerto, mas não ao ponto de ignorá-lo. Vivam como quiser, digo apenas que o meu “eu” tem sim vestígios do passado, certezas presenciais, e desígnios futuros, que objetivam, concretizam e incentivam a construção de uma vida incerta.